Sabe a rivalidade do futebol, de ligar a TV e torcer contra o time adversário? Até onde sei, isso é raridade no mundo das gigantes norte-americanas dos quadrinhos: DC e Marvel.

Raramente um artista que trabalhe em uma delas cresceu sem ler ambas. E, como todo leitor (e fã), tem seus favoritos de cada lado.

Hoje isso não acontece tanto, mas nos anos 90 os crossovers entre editoras eram comuns: Batman encontra o Homem-Aranha, Surfista Prateado se reúne com o Lanterna Verde – e até Darkseid e Galactus!

Tudo isso para dizer que as editoras são tão próximas que há até personagens de uma homenageando os da outra: os Vingadores da DC e a Liga da Justiça da Marvel – não com esses nomes, obviamente. Hoje eu vou falar dos principais deles – e, como há muitos outros (inclusive gozações), voltarei a eles na semana que vem.

ESQUADRÃO SUPREMO, a Liga da Justiça da Marvel

Em 1969, Roy Thomas e Sal Buscema criaram um grupo de supervilões:

  • o homem mais rápido do mundo: Flash Ciclone
  • o homem que leva na mão a fonte de um gigantesco poder energético: Lanterna Verde Doutor Espectro
  • o inteligentíssimo, apesar de sem poderes, vigilante inspirado em um pequeno animal que voa: Batman Falcão Noturno
  • é um pássaro? É um avião? Não, é o Superman Hyperion

Mas não é essa a Liga da Marvel. Afinal, são vilões! A Liga da Marvel foi criada dois anos, cortesia de Roy Thomas e John Buscema (não confunda com o Sal, o John é irmão dele). Trata-se do Esquadrão Supremo (não confunda com o Sinistro, o Supremo é a versão “heroica” dele – já explico, calma…).

O multiverso Marvel, como o DC, tem várias realidades. O malvadão Esquadrão Sinistro é de uma dimensão; o portentoso Esquadrão Supremo é de outra.  A “Liga da Justiça da Marvel” fez sucesso relativo e ganhou revista própria. Foram tantos membros, sempre homenageando contrapartes da DC, que nem vale a pena citar todos. Falarei apenas dos principais:

  • Falcão Noturno (Batman): bilionário e inteligentíssimo
  • Hyperion (Superman): alienígena mais poderoso que um exército: voa e é superforte, superveloz, supertudo…
  • Princesa do Poder (Mulher-Maravilha): emissária de um reino distante que veio trazer uma mensagem de paz e amor
  • Ciclone (Flash): muito rápido (essa não foi difícil!)
  • Anfíbio (Aquaman): pode viver embaixo da água e otras cositas más (essa também não foi difícil)
  • Doutor Espectro: uma espécie de Lanterna Verde, mas com todas as cores

AVANTEADORES, os Vingadores da DC

Os Avanteadores surgiram na DC no mesmo mês e ano em que o Esquadrão Supremo deu as caras na Marvel. A premissa também era a mesma: trata-se de um supergrupo de outra dimensão, cortesia de Mike Friedrich e Dick Dillin.

Nesta primeira história, são chamados de Campeões de Angor, sendo Angor o planeta deles. O nome Avanteadores veio depois. Muitos membros do grupo foram mostrados com o passar das décadas (e tem até uma versão do Walt Disney, mas essa é outra história), mas a formação original poupou o Capitão América e o Homem de Ferro:

  • O poderoso deus do trovão: Thor Wandjina
  • A poderosa maga cuja nome homenageia uma cor: Feiticeira Escarlate Feiticeira de Prata
  • O homem mais veloz do mundo: Mercúrio Capitão Veloz
  • Ele assume o tamanho de um inseto e voa: Homem-Formiga Gaio

Não citei todas as homenagens aqui – a DC teve o até o requinte de criar sua versão para os Vingadores do Universo Ultimate (entendedores entenderão). Voltarei a essas homenagens de uma editora para a outra no futuro… Por enquanto, que o herói que veio de Krypton e pousou na Latvéria e a heroína que sobreviveu a Galactus e cresceu em Themyscira te protejam!

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho na Argus Media e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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