O ano de 1940 foi bem agitado para a DC Comics, e a editora lançou dezenas de personagens. Alguns caíram no ostracismo, mas outros ainda estão por aí, usando uniformes coloridos e voando (ou saltando) sobre prédios. Assim, em 2020 comemora-se os 80 anos de figuras como o Coringa, a Mulher-Gato e… o Lanterna Verde.

Aproveitei a data para apresentar aqui minhas cinco histórias favoritas do Lanterna Verde – desculpe, Ryan Reynolds, mas seu filme não entra.

Coloquei as histórias em ordem cronológica. E, como você vai reparar, vários personagens diferentes empunharam o lindo anel verde que dá poderes praticamente ilimitados.

1940 – “O Lanterna Verde”, de Bill Finger e Mart Dellon

Sabe a história de “As Mil e Uma Noites” em que o Aladim esfrega uma lâmpada mágica e sai um gênio mágico que realiza os seus desejos? É quase isso. Mas o rapaz da DC se chama Alan, e não Aladim, e não precisa esfregar a lâmpada: ele coloca um anel mágico nela, e é esse anel mágico que vai realizar seus desejos.

Acho parecido com o Aladim? Eu também. Mas assim surgiu Alan Ladd (continuo achando parecido com Aladim) Scott, o primeiro Lanterna Verde, e que fez um sucesso considerável nos anos 40.

1959 – “Lanterna Verde”, de John Broome e Gil Kane

Alan Scott não fazia mais sucesso no final dos anos 50, mas o conceito inventado por Bill Finger (ou pelos autores de “Mil e Uma Noites”, você decide) era muito bom. Então a DC decidiu atualizá-lo um pouco. Sai a magia, entra a ciência.

Assim, surge a Tropa dos Lanternas Verdes, uma corporação intergaláctica de policiais. São 3.600 membros tentando levar a Justiça em uma quantidade quase infinita de planetas. Esta história apresenta Hal Jordan – até hoje, o mais famoso entre todos os Lanternas Verdes.

1970 – “Nenhum mal escapa da minha visão”, de Dennis O’Neil e Neal Adams

Um senhor negro pergunta ao Lanterna Verde:

– Andei lendo sobre você… Como trabalha para os peles azuis [os líderes da Tropa dos Lanternas Verdes]… E como em um planeta em algum lugar você ajudou pessoas de peles laranjas e fez seu trabalho para pessoas de peles púrpuras [a DC tem aliens de todas as cores]… Só há um tipo de pele que nunca se importou: os de pele negra! Quero saber… Por quê? Responda-me, senhor Lanterna Verde.

Hal Jordan, o mais famoso Lanterna Verde, abaixa a cabeça para responder.

– Eu… não consigo responder.

Esta história levou um banho de realidade para a revista de aventura e ficção científica do Lanterna Verde. Que tal refletir um pouco sobre racismo? Afinal, estamos em 1970 e o racismo ainda existe.

Bem, estamos em 2020. E essa história continua atual.

1986 – “Cinco Bilhões de Anos”, de Steve Englehart e Joe Staton

O conceito da Tropa dos Lanternas Verdes, criado em 1959, foi crescendo aos poucos. Quase três décadas depois, havia uma gama enorme de ótimas personagens coadjuvantes. Outros Lanternas de planetas distantes (um deles, inclusive, era um planeta vivo!) passaram a fazer parte dessa mitologia.

A revista de nº 200 do “Lanterna Verde”, em que “Cinco Bilhões de Anos” foi publicada, foi um marco – e um último número. Nada menos do que 20 membros da Tropa aparecem nessa história sensível sobre amizade, lealdade e heroísmo.

E por que a revista acabou, então? Na verdade, ela foi rebatizada e, a partir do nº 201, virou “Tropa dos Lanternas Verdes”. A mitologia não parava de crescer.

1987 – “Vidas Cinzas Sonhos Cinzas”, de Keith Giffen, J.M. DeMatteis e Kevin Maguire

Comentei no parágrafo acima que a mitologia do Lanterna Verde crescia. E foram criados tantos bons personagens que muitos deles ganharam revistas próprias ou passaram a participar de outros títulos. É o caso de Guy Gardner, o mais arrogante, esquentadinho e divertido Lanterna Verde, que passou a ter revista própria e a fazer parte da Liga da Justiça.

Nessa história, Guy Gardner decide resolver seus problemas com o Batman de uma maneira pouco convencional: na base da porrada. Como terminou? Só lendo para saber. 🙂

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho na Argus Media e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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