Você conhece Matt Baker? Jay Paul Jackson? E.C. Stoner?

Eu também não. E vou adorar entrar em contato com o trabalho deles.

Li no “New York Times” (me sinto chique sempre que cito este jornal, o que faz de mim um brega) que o artista norte-americano Ken Quattro descobriu que muitos dos artistas da chamada Era de Ouro dos Quadrinhos norte-americanos eram negros, mas que ele nunca tinha ouvido falar deles. Nem ele nem quase ninguém, aliás.

A Era de Ouro que citei é o período (para nós fãs, maravilhoso) em que as HQs americanas explodiram em popularidade. Durou de 1938 a mais ou menos 1945, e foi impulsionada pelo Superman e pelos heróis que surgiram depois dele: Batman, Namor, Mulher-Maravilha, Tocha Humana, Shazam, Capitão América…

Quattro, diz a matéria do NYT, descobriu que muitos dos pioneiros desse período eram negros – e caíram no ostracismo. Para reverter isso, fez uma longa pesquisa sobre eles, que resultou no livro que está sendo lançado agora: “Invisible Men: The Trailblazing Black Artists of Comic Books”, da Yoe Books. Em tradução livre, o título ficaria “Homens invisíveis: os pioneiros artistas negros dos quadrinhos”.

Vou citar só três dos artistas abordados:

Matt Baker – O artista por trás do super-herói negro Voodah (é a imagem dele que abre este texto), ficou mais conhecido pelo seu trabalho com a heroína Lady Fantasma (que na épora saia pela editora Fox, mas hoje é publicada pela DC Comics);

Jay Paul Jackson – Criador de Speed Jaxon, agente secreto que descobre uma civilização altamente secreta e avançada escondida na África – uma espécie de Wakanda, mas duas décadas antes;

E.C. Stoner – Ilustrou uma das versões de um dos meus super-heróis favoritos, o glorioso Besouro Azul! Aliás, uma curiosidade: a editora DC Comics tem esse nome por causa de uma de suas primeiras revistas: a Detective Comics. Se você pega a primeira edição dela, em março de 1937 (mais de um ano antes do surgimento do Superman), a história que abre o número, de Speed Saunders, foi escrita e desenhada pelo pioneiro desconhecido E.C. Stoner (logo abaixo).

Adoro história sobre pioneiros dos quadrinhos. Adoraria ler sobre esses “homens invisíveis” americanos, bem como os desbravadores dos nossos quadrinhos brasileiros. Você não gostaria de desfrutar de um bom livro sobre Luiz Sá? Messias de Mello? Francisco Armond (alguém podia descobrir o nome verdadeiro dele – aliás, será que é verdade que seria uma mulher?)? A lista é enorme! Tomara que esses livros surjam.

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho na Argus Media e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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