Você viu, eu vi, todo mundo viu. Há algumas semanas, extremistas apoiadores de Donald Trump invadiram o Capitólio (o Congresso dos EUA). Alguns deles usavam camisetas do Capitão América. Aliás, é possível ver na internet esses extremistas trompistas usam, em outros eventos, não só camisetas, mas também bandeiras, pôsteres e até escudos deste super-herói. E isso não faz sentido.

Quem alertou para essa patacoada foi Neil Kirby, o filho de Jack Kirby – cocriador do personagem, ao lado de Joe Simon. Semana passada, Neil Kirby emitiu uma declaração aos insurrecionistas. Destaco um trecho:

“O Capitão América é o oposto absoluto de Donald Trump. Ele é altruísta, Trump é egoísta. O Capitão América luta por nosso país e por nossa democracia, Trump luta por poder pessoal e autocracia. Onde o Capitão América está com o homem comum, Trump está com os poderosos e privilegiados.”

O Capitão América é patriota, mas não tem fé cega a seu país. Ele é crítico. E escândalos políticos refletem em suas histórias. Em 1974, Richard Nixon renunciou à presidência dos EUA após o escândalo conhecido como Watergate. Nas HQs, Steve Rogers abandona o uniforme e o codinome que o deixaram famoso e vira o Nômade (imagem acima).

Em 1986, Ronald Reagan se envolve no escândalo Irã-Contras. No ano seguinte, o Capitão América renuncia de novo e vira o Capitão (imagem abaixo).

Explico melhor esta história na minha coluna semanal no site oficial da TV Cultura.

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho na Argus Media e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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