É um pássaro? É um avião? Não, é a melhor fase do Superman em quadrinhos sendo lançada mensalmente no Brasil…

Eu li no Universo HQ e fiquei tentado: a Panini vai publicar, com o nome “A Saga do Superman”, a fase completa do ótimo roteirista-ilustrador John Byrne à frente do personagem. Estão previstos 12 volumes mensais de 160 páginas – o primeiro está em pré-venda.

O gênero dos super-heróis como o conhecemos hoje – do Universo Cinematográfico Marvel ao transgressor “Watchmen” – só existe porque, em 1938, Jerry Siegel e Joe Shuster inventaram o Superman.

Foi um baita sucesso! Não se havia visto algo parecido: ele era muito forte, muito veloz e dava saltos enormes (mas não conseguia voar, coitado). A origem de tão fantásticos poderes? Ele era o único sobrevivente de um planeta distante, Krypton.

Mas isso foi nos anos 30. Quanto mais histórias saiam, mais poderes ele ganhava. E chegamos à década de 80 com um Superman muito mais forte (podia mover planetas) e veloz (capaz de alcançar a velocidade da luz) – além, claro, de voar, muito mais efetivo do que dar pulões.

E o que dizer dos poderes novos? Supersopro, sopro gelado, visão de calor, superventriloquismo, visão telescópica, visão microscópica, supermemória, invulnerabilidade, visão de raio-X, superaudição, superinteligência, super-resistência, super-hipnotismo, superolfato, supertato… Supercansei, mas acho que você entendeu.

E ele não era mais o último filho de Krypton! Sua prima, Supergirl, também apareceu. E o Supercachorro, o Supergato, o Supermacaco… Teve até uma cidade inteira, cheia de kryptonianos, que sobreviveu à explosão do planeta – reduzida e mantida por um vilão dentro de uma garrafa, porque nada na vida do Superman pode ser fácil.

Enfim, a mitologia do Superman era riquíssima. Mas ele se tornou um personagem difícil de ser escrito. Afinal, que desafio pode surgir para alguém capaz de partir um planeta ao meio com um murro ou de correr ao redor da Terra em menos de um segundo?

Em meados dos anos 80, a DC resolveu dar um jeito na bagunça dos seus personagens. Ou seja, zerar tudo. Em 1986, lançou a minissérie “Crise nas Infinitas Terras”, que serviu como um fechamento para a cronologia de todos os seus heróis e vilões. E aí, recomeçaria tudo.

E coube a John Byrne, que veio de uma ótima fase com o Quarteto Fantástico, a tarefa de lançar as estruturas para um repaginado Superman.

Quem ele era? Quais os seus poderes? Como conheceu Lois Lane, Lana Lang, Jimmy Olsen – e que importância eles teriam em sua vida? Por que ninguém descobre a sua identidade secreta? Por que Lex Luthor o odeia – e como ele, sem poderes, pode criar desafios à altura do Último Filho de Krypton?

Byrne tem talento e imaginação. Por três anos, deitou e rolou com a mitologia do Superman. O resultado ficou ótimo. Respeitou personagens e histórias que vieram antes dele, com liberdade para ampliar esse universo. Para mim, é a melhor fase do Superman de todos os tempos, e só perde em importância para Siegel e Shuster – que, afinal, são os criadores do personagem.

É esta fase que está sendo relançada no Brasil. Um momento de júbilo para minha memória afetiva – e de pesadelos para o meu bolso.

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho na Argus Media e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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