Se você assistiu ao segundo filme dos Guardiões da Galáxia ou dos longas em que os Vingadores enfrentam Thanos, deve se lembrar de Mantis, a doce alienígena verdinha de antenas. (A foto acima vai te ajudar a associar o nome às antenas, espero.)

A Mantis surgiu em 1973 nos quadrinhos dos Vingadores, publicados pela Marvel. Mas a história dela é tão estranha que vale a pena ser contada. Afinal, ela migrou por outras editoras (inclusive a rival DC Comics) antes de voltar para a própria Marvel. Mudando de nome, inclusive – para não infringir direitos autorais…

Começando pelo surgimento da Mantis – aliás, se o codinome dela fosse traduzido, seria conhecida como a Louva-A-Deus, por causa do inseto (que também é verde e tem antenas). Ela foi criada pelo roteirista Steve Englehart e pelo desenhista Don Heck como coadjuvante – e depois, membro – dos Vingadores. Aliás, foi a primeira asiática a fazer parte do grupo: ela é vietnamita.

Sempre gostei da Mantis. Quando comecei a ler as aventuras em que ela aparecia, o que me surpreendeu foi a sua humilidade / simplicidade, representada pelo fato de ela se referir a si própria como “este ser” (“this one”).

Mantis protagonizou uma das melhores histórias dos Vingadores dos anos 70, ainda que bizarra: “Os andróides também têm alma”, lançada em 1975 nos Estados Unidos e dez anos depois no Brasil “Grandes Heróis Marvel” nº 10, da editora Abril. A história culmina com dois casamentos: do Visão com a Wanda (mesmo casal que você vai shippar com a série da Marvel que está no Disney+) e da própria Mantis. Ela se casa com uma árvore alienígena que possuiu o cadáver de um membro menos conhecido dos Vingadores, o Espadachim – eu avisei que era bizarro.

(Deixei para lá o fato de que quem celebrou o matrimônio foi um dos grandes inimigos dos Vingadores, ia ficar complicado demais para explicar.)

Dois anos depois, o mesmo Steve Englehart, criador da Mantis, agora estava na DC, escrevendo histórias da Liga da Justiça. E eis que aparece lá uma alienígena verde, de antenas, e que se refere a si mesma como “este ser”. É a Mant – não, péra. A Marvel poderia processar. Ela agora se chama… Willow!

Há até uma piadinha com seu passado: ela diz que vem de um lugar, mas que ela não pode dizer o nome (hã, Marvel?). Ela conta que é terráquea, se casou com um alienígena e está… grávida!

Após seis anos (ou seja, estamos em 1983), a editora Eclipse publica uma história da Scorpio Rose escrita por Steve Englehart – e quem aparece? Sim, a verdinha que fala de si mesma como “este ser”: Mant… Will… Lorelei!

Há outra piadinha com seu passado: seu interlocutor conta que acha que já a conhece, mas por outro nome. Ela comenta ser conhecida por vários nomes… Mais uma vez, revela que é terráquea, se casou com um alienígena e… teve um filho! (Que não aparece, está nas sombras.)

Ou seja, a passagem da Mantis por outras editoras não foi só uma aparição simpática para os fãs. Há uma história sendo contada.

Mantis voltou para as páginas da Marvel em 1995, sempre em HQs dos Vingadores. Só em 2007 ela passaria a figura nas aventuras dos Guardiões da Galáxia, o que serviria de base para sua aparição no longa lançado em 2017, onde foi vivida pela atriz franco-canandense Pom Klementieff. Felizmente, a história dela é bem mais fácil de ser acompanhada nos cinemas.

Por enquanto.

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho na Argus Media e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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