Ontem eu mencionei aqui no blog o trabalho espetacular da dupla francesa Goscinny e Uderzo e sua criação máxima: Asterix. Ponderei bastante e resolvi apresentar minhas cinco histórias favoritas do irredutível gaulês.

Antes, um aviso importante: essa lista de cinco melhores é completamente subjetiva. Meus pais, que me apresentaram ao Asterix, certamente terão uma lista completamente diferente.

Aliás, essa lista de cinco melhores tem seis histórias, e não cinco. Desculpe. Não sabia qual cortar e fiz uma contabilidade criativa.

Para me poupar o desgastante trabalho de ver de qual eu gostava mais, coloquei os livros em ordem de publicação, e não de preferência.

Uma Volta pela Gália com Asterix (1965)

A premissa é bem divertida: os romanos erguem um muro em volta da aldeia dos gauleses irredutíveis para os isolarem do resto da Gália (nome da França na época). Irritado, Asterix aposta com os inimigos que consegue dar uma volta por seu país sem ser incomodado, e que tratará uma comida típica de cada local para preparar um banquete.

Além do humor tradicional, há uma coisa bem bacana nessa aventura: o carinho e a amizade com os quais os gauleses tratam Asterix e Obelix, em um ato de bravura e resistência contra os invasores romanos.

Asterix e Cleópatra (1965)

Muitas das histórias de Asterix envolvem viagens a lugares distantes. Nesta, o baixinho vai a outro continente: a África. O objetivo, mais uma vez, é uma aposta contra os romanos. Agora, entretanto, quem apostou foi a linda Cleópatra, numa disputa direta e pessoal contra ninguém menos do que Júlio César, o imperador dos romanos.

Além do roteiro engraçadíssimo de Goscinny, as referências e homenagens que Uderzo faz à arte egípcia nos detalhes das ilustrações também são dignas de nota.

Asterix Legionário (1967)

A estranheza começa na capa: Asterix e Obelix, os maiores inimigos do Império Romano, se alistaram no… exército do Império Romano! É como ver a torcida vascaína torcendo pelo Flamengo, Thanos fazendo parte dos Vingadores, fãs de “Jornada nas Estrelas” dizendo que preferem “Guerra nas Estrelas”…

O enredo é ótimo e fica melhor graças aos coadjuvantes. Uma vez alistados no Império Romano, Asterix e Obelix passam a conviver, por exemplo, com:

  • um egípcio que se alista por engano (ele acha que está fazendo um passeio turístico);
  • um intérprete romano levemente cínico que se diverte traduzindo o que dizem legionários tão culturalmente diferentes uns dos outros; e
  • um comandante da tropa completamente incapaz de lidar com os irredutíveis gauleses – o que o torna simplesmente hilário.

Asterix nos Jogos Olímpicos (1968)

Uma aventura e tanto para quem gosta de esportes (como eu!). Mas, obviamente, não só por isso: a engenhosidade do roteiro, representada pela astúcia de Asterix, coloca em outro patamar o humor dessa história que envolve uma viagem à distante Grécia.

Asterix – A Cizânia (1970)

Asterix encontra, finalmente, um inimigo tão inteligente quanto ele: Tulius Detritus, um romano que tem a prodigiosa habilidade de, com apenas poucas palavras, colocar uns contra os outros. Não importa se são melhores amigos desde a infância, marido e mulher ou o imperador Júlio César e seus lacaios… Detritus veio, viu e venceu: a cizânia está instalada.

Asterix Entre os Belgas (1970)

Último álbum escrito por Goscinny, esta peróla foi publicada dois anos após sua morte. A viagem à vizinha Bélgica nos brinda, uma vez mais, com humor, confusão e demonstrações de amizade – além de uma divertida homenagem ao belga Hergé, criador do Tintim.

Please follow and like us:

Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho no Estadão e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

Quer falar comigo, mas não pelos comentários do post? OK! Meu e-mail é pedrocirne@gmail.com

LinkedIn: https://br.linkedin.com/in/pedro-cirne-563a98169