É meio tranquilo para mim dizer que quem gosta de quadrinhos também curte ler. Eu não sei, entretanto, se há um denominador comum: se a maioria gosta de não-ficção, fantasia etc.

Mas pensei aqui comigo que seria interessante conversar sobre livros sobre quadrinhos, e pensei em fazer uma pequena série de três ou quatro posts a respeito. Afinal, quem gosta de HQ pode gostar de ler um pouco mais sobre HQ, certo? 😉

Então, separei três livros que adoro e resolvi falar um pouco sobre cada um. A ideia era essa, mas vou falar sobre seis porque não consegui tirar três desta lista. Por isso mesmo, este post será dividido ao meio: um hoje e um amanhã. Boas leituras!

1 – “Imageria”, de Rogério de Campos

Este livro é demais. Quando a primeira história em quadrinhos foi criada? Como, em países e períodos temporais diferentes, aristas foram se arriscando, entre tentativas e erros, até chegarem, independentemente uns dos outros, a uma mesma nova forma de Arte?

“Imageria”, que tem o preciso subtítulo “O nascimento das histórias em quadrinhos”, traz um caminhão de informações em um livro instrutivo e bem narrado. De quebra, apresenta artistas originais e normalmente não associados ao fato de serem os primeiros quadrinistas da História.

Página do Angelo Agostini reproduzida no livro

Aproveito e já deixo alguns artistas a que ele me despertou a vontade de ir atrás – muitos se destacaram fora dos quadrinhos, então você talvez se surpreenda ao saber que eles também criaram “arte sequencial” (a bela definição de Will Eisner para “histórias em quadrinhos”):

  • o britânico William Hogarth (1697-1764)
  • o japonês Hokusai (1760-1849)
  • o suíço Töpffer (1799-1846)
  • o francês Gustave Doré (1832-83)
  • o ítalo-brasileiro Angelo Agostini (1843-1910)
  • o português Bordallo Pinheiro (1846-1905)
  • o francês nascido no Império Russo Caran D’Ache (1858-1909)

2 – A biografia de Osamu Tezuka

Trapaça! O mangá “Osamu Tezuka”, lançado no Brasil em quatro volumes, é uma HQ tradicional, e este é um post sobre livros. Sim, eu sei, mas vamos superar este pequeno ponto que vale a pena.

Meu pai sempre me disse que todo gênio é obcecado. Quando eu era criança e ouvia isso, pensava em Zico e Pelé, embora ele, como cientista, talvez se referisse a Richard Feynman ou Isaac Newton. Mas vale para alguns artistas – e, sem dúvida, para o histórico mangaká Osamu Tezuka.

Sua biografia mostra da sua infância à morte e destaca, claro, seus personagens e obras principais (a favorita dele, “Fênix”, ainda é inédita no Brasil…). Mas o que me impressionou foi sua obsessão, no bom sentido, em sempre criar, inventar, inovar… e aprender.

Exemplo de obsessão: em certa época da vida, Tezuka tinha pouco tempo e queria ver três filmes, que passavam no mesmo horário. O que fazer? Simples: ele comprava os três ingressos e assistia a 40 minutos de cada. Loucura? Talvez… Mas o fato é que ele sorvia o máximo que podia de cada oportunidade para aprender.

Criada pelo mangaká Toshio Ban (que foi assistente do biografado) e pela Tezuka Productions, a tetralogia “Osamu Tezuka” é, claro, um livro chapa branca. Mas isso não o impede de ser uma aula sobre mangás, quadrinhos e a obsessão de gênios.

3 – O livro de Alan Moore sobre como escrever roteiros

O pequeno (50 páginas) “Alan Moore’s Writing for Comics” é, infelizmente, inédito no Brasil. Mas vale por ser o que o título indica: Alan Moore, o fabuloso autor de “Watchmen” e “A Liga Extraordinária”, dando dicas e mais dicas sobre como escrever roteiros de quadrinhos.

Mesmo que você não tenha a menor ambição em trabalhar na área, não deixa de ser muito interessante ver o que se passa na rotina da criação das histórias. Minha “crítica” é que é curto demais: Moore certamente tem muito, muito mais a ensinar.

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho na Argus Media e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

Quer falar comigo, mas não pelos comentários do post? OK! Meu e-mail é pedrocirne@gmail.com

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