Adaptações de clássicos da literatura são quase um subgênero dos quadrinhos. Há tantas, e estilo (e qualidade) diferentes, que fica até difícil escolher. Então hoje, no Sugestões de Sábado, e amanhã, no Duas Dicas Dominicais, vou focar nessas adaptações.

Aliás, as dicas desses dois dias valem por duas: além da HQ, vale a pena ir atrás, claro, da obra original – deixo link para elas também ;-).

Crime e Castigo”, de Osamu Tezuka

Tenho um amigo que diz que todos os excelentes romances da literatura mundial foram escritos em russo. Humildemente, discordo, mas fica aqui o registro dele, que serve de introdução para… Фёдор Михайлович Достоевский. Em nosso alfabeto, Fiódor Dostoiévski.

Maior mangaká de todos os tempos, Tezuka disse durante boa parte de sua carreira que seus mangás eram “petiscos”. Desconfio de que seu mangá vai abrir seu apetite para as quase 600 páginas do romance original.

A Relíquia”, de Marcatti

Confesso que Marcatti me surpreendeu. Adoro a literatura de Eça de Queirós (“O Crime do Padre Amaro” mexeu muito comigo), mas acho difícil adaptar sua obra. Todas aquelas descrições detalhistas podem levar a equipe que transpõe sua obra a cair na armadilha de páginas carregadíssimas de transcrições enormes. Isso mantém a ligação com a obra original, mas resulta em um quadrinho de leitura maçante e cansativa. Experiente e talentoso, Marcatti não caiu nessa, mandando bem na adaptação do romance original.

Sharaz-de – Contos de as Mil e Uma Noites”, de Sergio Toppi

Sou muito fã do “Livro das Mil e Uma Noites” (a coleção da Globo, traduzida diretamente do árabe, é impressionante) e amaria ver adaptações dela para qualquer mídia – cinema, TV, stories do Instagram…

O italiano Toppi adapta poucas das inúmeras obras da obra original, mas já é o suficiente. Temos uma HQ rica em histórias e personagens, traduzidas na sempre exuberante arte do Toppi.

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho na Argus Media e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

Quer falar comigo, mas não pelos comentários do post? OK! Meu e-mail é pedrocirne@gmail.com

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