Ontem comentei aqui que Stan Lee virou nome de inseto. Perto do que ele já fez em sua carreira, isso é só detalhe…

Stan “The Man” Lee sabia rir de si mesmo e não tinha medo de arriscar. Muitas das suas inovações deram certo! Outras, nem tanto. Nem tudo o que eu cito aqui é necessariamente ruim… São momentos diferentes de sua carreira, tão atrelada aos super-heróis da Marvel. Alguns são bem estranhos. Tipo ter seu nome usado para batizar uma mosca.

1 – Lee criou uma super-heroína para adultos chamada Erotica Jones, a Stripperella

Não foi nos quadrinhos, mas em forma de desenho animado: ela tinha poderes! Ela tinha identidade secreta! Ela era heroica: Stripperella!

Sim, o nome remete a strip-tease… Afinal, havia uma pegada erótica aí, a começar por sua identidade secreta: Erotica Jones.

A personagem principal era dublada pela atriz e modelo Pamela Anderson. O seriado teve uma temporada de 13 capítulos.

2 – “The Man” escrevia histórias de humor tirando sarro da… Marvel

A Marvel lançou uma revista de humor de 1967 a 69 chamada “Not Brand Echh”. A ideia era tirar sarro de super-heróis em geral – e da Marvel em particular.

Já chefão da editora, Lee participou ativamente da revista. É difícil traduzir os nomes, pois são todos trocadilhos da língua inglesa, mas é de Lee a criação do Quarteto Fantasticável, formado por Erva Daninha, Coisa Envenenada, Garota Inevitável e Homem Chamuscado.

Os nomes acima, em inglês: Fantastical Four (gozação do Quarteto Fantástico), Weed Wichards (Reed Richards), Thung (Thing, o Coisa), Inevitable Girl (Garota Invisível) e Human Scorch (Tocha Humana).

3 – Stan participou de uma fotonovela

…e tirou a foto bizarra que está logo acima. Foi tudo parte da brincadeira “The Marvel Fumetti Book”, lançado em 1º de abril de 1984. Caso você esteja estranhando o nome: “fumetti” significa “fotonovela” em inglês (a palavra “photonovel” também existe). Conto aqui essa história.

4 – O chefão da Marvel escreveu para a concorrente DC

Imagine o Pelé fazendo um gol com a camisa do Corinthians e beijando o escudo com emoção.

Foi mais ou menos isso que os fãs sentiram em 2001 quando a DC Comics lançou a série “Just Imagine…”, que incompleta no Brasil (apenas 6 dos 12 números).

Lee pegou os nomes dos principais personagens da concorrência – Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Sandman… – e os recriou à sua maneira. Assim, por exemplo, o Aquaman não é um atlante, mas um oceanógrafo que pode virar água.

Divertido. E estranho!

5 – Stan pegou carona com o Homem-Aranha, que o esqueceu no alto de um prédio

No seu desenho animado de 1994, o Homem-Aranha foi parar em uma dimensão onde ele era apenas um personagem de quadrinhos. Curioso, foi encontrar seu criador: Stan Lee.

Assim, criador e criatura saíram balançado por aí e conversando sobre a vida. Quando o Aranha conseguiu voltar para sua realidade, esqueceu apenas de um detalhe: aquele divertido homem de óculos escuros e bigode esquecido sobre um prédio…

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho na Argus Media e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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