A icônica Biblioteca de Nova York divulgou, na semana passada, uma lista com os 50 melhores quadrinhos para adultos publicados este ano nos EUA. Para minha alegria, vi duas obras de brasileiros nela, e falarei brevemente sobre ambas.

“Mukanda Tiodora“, de Marcelo D’Salete

Publicada lá nos EUA como “Tiodora’s Letters”, esta obra do D’Salete abocanhou dramas quando saiu por aqui, em 2023: Prêmio Jabuti (categoria Histórias em Quadrinhos) e dois troféus do HQ Mix (desenhista nacional e arte-finalista nacional).

Abaixo, a sinopse da editora Veneta:

“Em meados do século XIX, a população negra seguia construindo seus espaços na cidade de São Paulo. A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos conseguira construir a Igreja do Rosário, e em torno dela promovia celebrações com grande presença africana. A área de matas conhecida como Campos do Bexiga, em torno do córrego Saracura, um refúgio para fugitivos da escravidão, já se transformava em base de uma comunidade negra. Graças ao trabalho escravo, o café enriquecia a cidade, mas nas fazendas surgiam mais e mais quilombos, mais e mais rebeliões… Ainda que o poder estivesse totalmente nas mãos dos homens brancos (vários deles nem tão brancos assim…), nas ruas milhares de pessoas negras – escravizadas ou livres – trabalhavam em diferentes ofícios – carregadores, lavadeiras, quitandeiras e outros. Entre essas pessoas estava Tiodora, uma mulher escravizada que procura, através da palavra escrita, alcançar sua alforria. Este livro inspira-se nesse momento.”

Abaixo, o resumo da Biblioteca de NY, livremente traduzido:

“Esta graphic novel histórica acompanha a trajetória de uma carta através do Brasil, do homem que a escreve pela remetente ao menino que arrisca a vida para entregá-la, tudo na esperança de reunir uma família separada pela escravidão.”

“The Demon of Beausoleil” (imagem que abre este texto), de Mari Costa

Aqui cabe um pedido de desculpas pela minha ignorância. Nunca li nada da brasileira Mariana Costa, que assina como Mari Costa. Antes de escrever este texto, tentei ler obras dela em português, mas não achei nada à venda na Amazon, na Comix ou na Ugra, e nenhuma menção no site Guia dos Quadrinhos. Presumo que seja uma autora voltada ao mercado norte-americano – a descrição do perfil profissional dela no Instagram está em inglês. O site profissional dela também está em inglês: Mari Comics. Foi neste site que aprendi que ela mora em Portugal.

“The Demon of Beausoleil” (“O Demônio de Beausoleil”, em tradução livre) foi lançada nos EUA pela Oni Press. Lá, achei uma biografia bem-humorada da autora: “Mariana Costa nasceu no Brasil (supostamente) já totalmente formada, saindo de um buraco no chão. Ela é uma criatura profundamente irreverente que devora histórias e depois cospe novas para repovoar o ecossistema. Se essas novas histórias são melhores ou piores, cabe a você decidir, provando-as por conta própria. Ela é mais conhecida por ‘Peritale’, ‘Belle of the Ball’ e ‘Life of Melody'”.

Abaixo, a sinopse da Oni Press:

“Helianthes é uma criança nascida sob a influência de demônios. Com chifres, garras e cauda, Helianthes — conhecido como Hell — é um exorcista despreocupado, cuja atitude despreocupada conseguiu afastar aqueles que mais lhe são próximos — todos, exceto seu sofredor guarda-costas, Elias, que o vê menos como um ser estranho e mítico e mais como um… incômodo.
Juntos, os dois se aventuram pelas ruas dessa espécie de versão remixada da Londres vitoriana para exorcizar demônios (e talvez aprontar algumas travessuras pelo caminho). Mas, à medida que Hell se sente cada vez mais atraído por seu enigmático guarda-costas — e Elias se torna cada vez mais consciente de seus sentimentos por aquele protegido problemático —, os dois se veem diante de uma escuridão crescente e caótica que pode ameaçar tudo pelo que têm se empenhado.”

Agora, o resumo da Biblioteca de NY para a obra:

“Com um apocalipse demoníaco se aproximando, Helianthes, um playboy socialite meio-demônio de temperamento ácido que se tornou exorcista, precisa superar os traumas de sua infância — e a tensão latente com seu guarda-costas corpulento e sofredor — se quiser ter alguma chance de salvar o mundo.”

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho no Estadão e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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