
Ontem, publiquei aqui no Hábito de Quadrinhos, uma lista curtinha (só 7!) de quadrinhos estrangeiros que adoraria que fossem publicados no Brasil. Poderia parar por aí, claro, mas tem tantos outros…
Então, mais sugestões para vocês, editores! Por favor, nunca te pedi nada! (Mentira, todo início de ano eu peço pelo menos uma dúzia de publicações…)
“I Ate the Whole World to Find You“, de Rachel Ang

As cinco histórias vagamente relacionadas de livro abordam, entre outro temas, a dificuldade de se comunicar com aqueles que nos são mais próximos, empregos instáveis e o drama da violência. “I Ate the Whole World to Find You” (“Eu comi o mundo inteiro para te encontrar”) é a primeira graphica novel da australiana Rachel Ang.
“La Couleur des Choses”, de Martin Panchaud

“La Couleur des Choses” (“A cor das coisas”, em tradução livre) é uma obra inovadora – ao menos, esteticamente. Suas páginas parecem telas de videogames, com as cenas vistas de cima e os personagens representados na forma de círculos coloridos, vistos de cima. A estética pode dar a ilusão de uma leitura leve, mas é o contrário: esta estética revolucionária e usada para retratar um adolescente de 14 anos, vítima de bullying e negligência familiar. Não à toa, a HQ do suíço Martin Panchaud venceu, em 2023, o prêmio do melhor HQ do ano no Festival de Angoulême. (É desta obra a imagem que abre este texto.)
“Posada – La Vida No Vale Nada y La Hoja Suelta Un Centavo“, de Gonzalo Rocha

José Guadalupe Posada (1852-1913) foi, por meio de suas litografias, desenhos e, especialmente, gravuras, um dos maiores artistas do México de todos os tempos. E Gonzalo Rocha assumiu a tarefa de retratar a sua vida e seus combates – Posada foi um artista profundamente político – nesta bela ilustrada graphic novel.
Tadao Tsuge (qualquer trabalho dele)

Este importante mangaká tem uma obra dramática, humana e inédita no Brasil. Seus trabalhos, alguns autobiográficos, retratam como foi crescer na pobreza em Tóquio, além de temas como trauma pós-guerra, prostituição, masculinidade e a fragmentada sociedade japonesa após a derrota na Segunda Guerra Mundial.
Extra: “Bob De Moor – La Ligne Claire d’Hergé”, de Gilles Ratier

Outra biografia de um artista fabuloso. O belga Bob de Moor (1925-92) foi um dos grandes nomes dos quadrinhos europeus, embora menos reconhecido do que deveria – boa parte de sua carreira foi como assistente de Hergé, criador do célebre Tintim. O jornalista e escritor francês Gilles Ratier criou este livro para retratar a enorme e relevante trajetória de De Moor. Coloquei aqui como “extra” por não ser um quadrinho, mas uma biografia ilustrada.