A história dos X-Men, os mutantes da Marvel que estão cada vez mais famosos (imagina quando sair o novo filme, em maio de 2028) passa por John Byrne.

Como co-roteirista (ao lado de Chris Claremont) e ilustrador, Byrne criou algumas das maiores histórias destes heroicos mutantes: “Dias de um Futuro Esquecido” (abaixo), “A Saga da Fênix Negra” etc. Mas isso foi décadas atrás, em meados dos anos 80.

Há alguns anos, Byrne quis voltar aos X-Men e ofereeu para a Marvel ideias para uma nova revista mensal. Ele faria roteiros, desenhos e arte-final de um período específico do supergrupo mutante, no passado, mais ou menos no ponto em que deixou a equipe. Artista e editora negociaram, mas a Marvel não comprou o projeto.

Byrne é assumidamente teimoso. E ele realmente gosta dos X-Men. Em 2019, ele passou a lançar, quase que diariamente, uma página escrita e ilustrada por ele, mas sem arte-final, em seu fórum de discussão Byrne Robotics.com, em que os protagonistas são… os X-Men. De graça.

Justamente por ele não lucrar com isso, o projeto, batizado de “X-Men – Elsewhen”, pode ser publicado na internet sem ser processado pela Marvel, a detentora dos direitos dos personagens. Ou seja: na prática, vira uma “fanfic” (arte feita por fãs com personagens dos quais eles não têm direitos autorais), mas criada por um fã que por muito tempo foi considerado um dos maiores artistas do gênero.

Os personagens são ótimos, Byrne é ótimo. Era questão de tempo até “Elsewhen” sair impressa. Vi no “The New York Times” que a editora Abrams ComicArts está lançando o projeto em três volumes – e o primeiro esgotou em uma semana. Abaixo, uma versão resumida da sinopse da editora para o primeiro volume:

“Diferentemente do final épico da história original com a Fênix Negra, de 1984, ‘X-Men: Elsewhen’ apresenta um universo em que os poderes e o intelecto de Jean Grey foram bastante reduzidos e, a partir daí, tudo o que você achava que sabia sobre os X-Men muda para sempre.”

Não há previsão de publicação no Brasil. Como sou fã dos personagens, vou reformular esta frase:

Não há previsão de publicação no Brasil… ainda.

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho no Estadão e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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