Eu me divirto quando o Érico Assis diz, em sua ótima coluna Enquanto Isso, que toda semana tem gente anunciando um “clássico imperdível” dos quadrinhos que está sendo lançado no Brasil.

Ele está certo, claro. Mas meus olhos brilham quando leio o nome “Joe Kubert” estampado em uma capa.

Joe Kubert é, literalmente, um mestre. Em 1976, fundou o instituto de artes Joe Kubert School of Cartoon and Graphic Art – era meu sonho de adolescente estudar lá. Como é possível fazer alguns cursos à distância, ainda é.

Quando Kubert, aos 50 anos, criou o instituto, ele já tinha 38 anos de carreira – sim, ele começou aos 12! Neste período, passou por personagens importantes da indústria americana de super-heróis, como o Gavião Negro e o Sargento Rock, ambos pela DC.

Minha obra favorita dele é de não-ficção: o impactante “Fax de Sarajevo”. É o angustiante relato de um amigo dele que, com a família, tentava sair de Sarajevo durante a sangrenta guerra civil local.

Tudo isso para dizer que está no Catarse o livro “Tor”, com histórias criadas por Kubert há mais de 60 anos – são HQs de 1953.

Por favor, não confunda este Tor – um personagem criado nos anos 50 cujas histórias se passam na Pré-História – com o deus nórdico adaptado pela Marvel por Stan Lee, Jack Kirby e Larry Lieber em 1962.

Aqui está a descrição da editora no Catarse sobre o Tor de joe Kubert:

“Criado em 1953 nos Estados Unidos e publicado pela St.John Publication, Tor era um herói pré-histórico, “parecido com Tarzan”, que segundo Joe Kubert, era o seu personagem favorito. Tor é um guerreiro pré-histórico, um solitário cujo único amigo verdadeiro é seu macaco de estimação, Chee-Chee. Apesar de serem desenhados em um estilo realista, as histórias são cheias de elementos de fantasia notáveis, incluindo humanos e dinossauros vivendo juntos na mesma época e muitos animais sendo retratados como monstros pré-históricos. O personagem posteriormente ganhou novas séries pela DC Comics em 1974, em 1993 pela Marvel Epic e a sua última publicação em 2008 pela DC Comics.

No Brasil a história presente que estamos lançando nesse projeto nunca foi lançada de forma completa, a editora Vida Doméstica no ano de 1954 lançou metade do quadrinho, apenas as primeiras 30 páginas. Em nosso relançamento compilamos todas as histórias de Tor em preto e branco, metade do encadernado é inédito no Brasil.”

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho na Argus Media e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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