O termo “mangá” é impreciso. Para nós, quer dizer qualquer história em quadrinhos oriunda do Japão. Mas há algumas nuances. Quando a HQ japonesa é voltada para o público adulto, o termo mais preciso é “gekigá”.

Muitos artistas lutaram pelo reconhecimento dos gekigás. Poucos foram tão relevantes nesse sentido quanto Yoshihiro Tatsumi (1935-2015). Aliás, foi ele quem cunhou o termo “gekigá”.

A editora Veneta colocou em pré-venda “Vida à Deriva”, autobiografia de Tatsumi. Trata-se de uma obra impactante para nós, fãs de quadrinhos. Afinal, a vida dele se entrelaça, a todo instante, a uma batalha pelo reconhecimento dos gekigás – e, por extensão, das HQs.

Em um trecho de “Vida à Deriva” de que gosto (e que já citei por aqui), um mangaká (artista de mangá) critica o trabalho de Tatsumi:

– Você precisa simplificar. Estilização é a essência do mangá. Você tem que simplificar tudo para não desperdiçar uma linha.

Ao que ele, então em início de carreira, responde:

– Mas isso não é mangá. Estou usando a metodologia do mangá para articular algo inteiramente novo. Não vou usar nenhum tipo de estilização que atrapalhe o que está sendo expresso.

O tipo de Arte que ele viria a criar ainda estava se desenvolvendo. O gekigá, como é conhecido hoje, não existia: estava em formação.

A vida de Tatsumi é muito interessante. E virou um livro ótimo e profundo. Voltarei a ele no futuro. Por enquanto, fica a dica deste baita gekigá.

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho na Argus Media e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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