Um dos meus quadrinhos de terror é o mangá “Death Note”, escrito por Tsugumi Ohba e ilustrado por Takeshi Obata. Lançado originalmente entre 2003 a 2006, traz uma premissa interessante: um rapaz extremamente inteligente encontra um caderno sobrenatural. Em pouco tempo, percebe que se escrever o nome de uma pessoa no tal “death note” (daí o título da série, “caderno da morte”), a pessoa falece.

O rapaz é, em tese, bem intencionado. Resolve ajudar o mundo. Isso dá a ele o direito de sair matando criminosos? E os devidos processos penais? E os corruptos? E quem pratica bullying contra ele? E quem tenta impedir ele de continuar assassinando à revelia do devido processo penal?

Obata é um ótimo ilustrador, e o roteiro de Ohba é incrível: muito suspense, questões éticas, plot twists inteligentes. Terror de primeira.

O mangá foi um sucesso de audiência. Automaticamente, extrapolou as páginas dos quadrinhos: virou anime, filme, livros em prosa, videogame e… um musical.

Para mim, é contraintuitivo uma história tão densa (e tão tensa), com um serial killer, um personagem invisível e tantas mortes virar um musical. Mas, claro, tudo é possível… Em 2015, “Death Note: The Musical” foi montada na Coreia do Sul e no Japão.

Em 2023, houve duas apresentações de “Death Note: The Musical” na Inglaterra. E agora, Londres está recebendo de novo o espetáculo, mas em uma temporada maior: começou em julho e vai até o mês que vem.

O ótimo jornal britânico The Guardian assistiu – e gostou. Torço para que um dia tenhamos uma montagem por aqui. E, também, que Ohba e Obata voltem a nos propiciar novas histórias neste universo.

ps – “Death Note” sai no Brasil pela JBC. Abaixo, a sinopse da editora:

“Sem nada de interessante para fazer no Mundo dos Shinigamis, o Deus da Morte Ryuk deixa cair intencionalmente na Terra o seu Death Note. O caderno possui poderes macabros: a pessoa que tem seu nome escrito nele, morre! O Death Note acaba indo parar na mão de Light Yagami. Aluno exemplar, porém entediado, ao descobrir os sinistros poderes do caderno negro, decide virar um justiceiro e varrer a criminalidade da face da Terra.
As seguidas mortes de criminosos em vários países diferentes acabam chamando a atenção da Interpol, que, por sua vez, pede ajuda ao maior detetive do mundo, conhecido apenas por “L”, para resolver o caso. Inicia-se assim um frenético jogo de gato e rato entre Light e seu perseguidor implacável , enquanto Ryuk diverte-se com os acontecimentos que se desenrolam em decorrência do uso do Death Note.”

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho no Estadão e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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