Sam Kieth, que perdemos há poucos dias, é um monstro da ilustração, com uma arte profundamente autoral e inventiva. E, do pouco que li dele como roteirista, também gostei bastante, como a sensível “A História de Po”, que ele criou colocando Hulk e Wolverine como protagonistas.

Mas o fato é que tivemos pouco acesso às obras mais autorais deste artista tão criativo. Então, deixo aqui minha humilde listinha de sugestão (pedidos?) para os editores brasileiros que eventualmente leiam este site.

Maxx” (imagem que abre este texto)

Misto de fantasia com drama profundamente psicológico. Quem é The Maxx? Um pobre coitado amnésico com delírios de grandeza ou um grande nobre que perdeu a memória e hoje parece um pobre coitado? Ou, claro, nada disso?
Foram 35 números publicados entre 1993 e 98, a maioria deles coroteirizados por Bill Messner-Loebs, mas teve até Alan Moore (o homem, o mito, a barba) participando da edição 21.

“Ojo”

Uma história sobre tragédias da infância e suas consequências para os protagonistas. O polivalente Kieth adapta sua arte para representar de forma mais intensa o que se passa nos quadros, com os personagens sendo retratados, por exemplo, de forma realista, infantil ou distorcida, de acordo com a situação em questão.

“Zero Girl”

Uma história que tem como objetivo ser levemente estranha e surreal, em que não dá todas as respostas ao leitor – apenas as sugere (ou sussurra). Zero Girl é um protagonista adolescente com habilidades peculiares, mas com problemas bem comuns, como ansiedade e vergonha.

“Four Women”

Uma minissérie em cinco números protagonizada por quatro mulheres, trata-se de um drama que aborda relacionamentos e traumas, retratados por meio de seu estilo único e criativo.

“Batman: Secrets”
Quão autoral o Sam Kieth pode ser com um personagem tão mainstream quanto o Batman? Não sei. Quero saber. Publiquem, por favor…?

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho no Estadão e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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