A primeira caricatura que fizeram de mim aconteceu no dia em que nasci: a Laerte era amiga da minha mãe (a Rita) e nos desenhou

A primeira caricatura que fizeram de mim aconteceu no dia em que nasci: a Laerte era amiga da minha mãe (a Rita) e nos desenhou

Olá. Bem-vindo a este blog. Meu nome é Pedro, sou paulistano, jornalista e escritor. E fã, colecionador e estudioso de… histórias em quadrinhos.
Minha ideia com este blog é de refletir sobre HQs. Compartilhar ideias, sugestões, pensamentos… E receber ideias, sugestões, pensamentos.

Quando eu era criança, havia poucas opções de leituras em quadrinhos. Se bem me lembro, as revistas mensais inéditas não chegavam a 25: 4 da Turma da Mônica, 1 Conan, 6 da Disney, 10 de super-heróis e a maravilhosa Mad. Hoje, o checklist do Universo HQ apontava mais de cem lançamentos em fevereiro, antes da pandemia.

Nessa época, era um momento de rara felicidade para mim se a TV aberta exibisse, no mês inteiro, um único filme que adaptasse uma HQ. Lembro de uma vez que coloquei o despertador para 4h da madrugada, saí da cama e apertei “rec” no videocassete para gravar o filme do Justiceiro. Um herói Marvel de carne e osso!

Na minha época, filma com personagem da Marvel era assim: o protagonista não podia sequer ter o uniforme completo (esse é Dolph Lundgren como o Justiceiro, mas sem sua caveira estilizada no peito)

Se você tem TV a cabo, faça o teste. Dê uma zapeada agora. Aposto que há uma adaptação de quadrinhos passando em algum canal, pelo menos. Acabei de fazer isso: havia um filme (“Vingadores: Guerra Infinita”), uma série animada (“Batman”) e um longa animado (“Teen Titans Go!”). Se você assinar Netflix ou Amazon Prime Video, então…

Quando eu estava na sétima série, a professora de português pediu uma redação sobre nossos ídolos. Eu escrevi sobre um quadrinista: John Byrne. Fiquei orgulhoso porque ela leu meu texto para a classe… depois entendi: eu fui o único menino a não escrever sobre um jogador de futebol. Eu devia ser um garoto estranho naquela sala de aula.

Nunca tive com quem falar sobre quadrinhos. Uma vez, já jornalista e trabalhando em uma redação, aos 23 anos, liguei para o escritório do Will Eisner para pedir uma informação. Perguntaram se eu queria falar com o próprio, respondi que não queria incomodar, que já tinha o que precisava… E passaram o telefone mesmo assim. Quando desliguei o telefone, estava louco para compartilhar a surreal conversa informal com ele, olhei ao redor e… ninguém saberia quem era Will Eisner. Eu devia ser um cara estranho naquela redação.

Um dos meus passatempos favoritos quando criança era entrar nas bancas de jornais e ver meus personagens favoritos (naquela época, eles ficavam do lado de dentro das bancas)

A primeira vez em que disse os nomes de alguns ídolos (Jack Kirby, Ramona Fradon, John Byrne) em voz alta e ninguém perguntou “quem?” foi quando eu estudava em um curso técnico de desenho (depois fiz de histórias em quadrinhos) na querida Quanta Academia de Artes. Eu tinha quase 30 anos e estava cercado por jovens sub-20. Pela idade, eu devia ser um tiozão da Sukita estranho naquele lugar.

Poucos anos depois, a trabalho, dei um pulo na San Diego Comic-Con. Eu me senti em casa, achei minha tribo, não queria sair de lá nunca mais. Mas só pude passar duas horas ali, pois tinha de pegar no batente. À noite, radiante, queria ligar para alguém e contar. Como diabos eu explicaria para alguém o que era uma comic-com e por que foi tão gostoso para mim? Ninguém entenderia. Liguei primeiro para o meu pai e depois para minha mãe. Acho que eles não entenderam direito à época, mas ficaram muito felizes ao me ver tão feliz. Somando-se a isso o fato de, aos 14 anos, eu ter ido que ia pedir de Natal o VHS da adaptação cinematográfica de “Watchmen” – que nunca saiu – e que aos 15 eu ganhei de aniversário uma assinatura da HQ americana “Sandman”, e noto que talvez eu tenha sido um filho estranho.

O Electro já era uma figuraça na San Diego Comic-Con de 2005, nove anos antes de ser vivido por Jamie Foxx no cinema

Hoje eu tenho na geladeira um desenho que meu cunhado de dez anos fez em homenagem ao Stan Lee. Ele não só sabe quem é Stan the Man, como fez um desenho em homenagem a ele! Excelsior!

Acredito que hoje haja um interesse muito maior para conversar sobre quadrinhos. Muitos sabem quem são Osamu Tezuka, Astro Boy, Stan Lee, Demolidor, Tintin, Hergé, Astérix, Goscinny, Piratas do Tietê, Laerte. Por que não tentar conversar com esses leitores e interessados?

Asterix e seus amigos gauleses correm para conversar com possíveis leitores de quadrinhos

Nem todo mundo conhece o norueguês Jason, o argentino Salvador Sanz, a iraniana Marjane Satrapi… Quem conhece quadrinhos africanos? Por que não falar sobre artistas menos conhecidos por aqui?

Quadrinhos adultos, infantis, poéticos, eróticos, de humor, super-heróis, suspense, terror… Mangá, Marvel e DC, Mafalda, Maus. Graphic novel, gauleses irredutíveis, gekigá. Super-heróis, shoujo, shonen. Picha, Powers, Pokémon. Assunto não falta. Felizmente.

Bem-vindo ao Hábito de Quadrinhos.

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho na Argus Media e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

Quer falar comigo, mas não pelos comentários do post? OK! Meu e-mail é pedrocirne@gmail.com

LinkedIn: https://br.linkedin.com/in/pedro-cirne-563a98169