
É normal, quando converso com fãs de mangás, eles louvarem o tipo de arte que, para eles, sintetiza os quadrinhos japoneses: dinâmica, altamente expressiva (olhos grandes, por exemplo), visualmente cinética.
Eu gosto muito de mangás. Mas o que mais me impressiona neles, mais do que a dinâmica arte, é a qualidade do roteiro de alguns autores específicos. E um deles é Jiro Taniguchi (1947–2017). Autor talentosíssimo, dono de um traço lindo e elegante, Taniguchi entregou alguns dos meus mangás favoritos.

Um deles me veio à mente por conta da data que celebramos amanhã: “O Diário do Meu Pai” (ed. Pipoca & Nanquim). Yoichi Yamashita recebe a notícia de que seu pai morreu, e viaja para a cidade onde cresceu para o velório e o enterro.
Nesta jornada, entendemos um pouco mais sobre ambos – que estavam havia uma década sem se falarem. Há muitos sentimentos e memórias em cena – do protagonista agora órfão, mas também das pessoas que conviveram com seu pai. Há lembranças de carinho, sentimentos reservados, responsabilidade e muito sacrifício.
Para mim, uma história emocionante, forte, tocante, inteligente e que nunca desgrudou dos meus neurônios. Arte com A maiúsculo. Recomendo.
