Nome: Lucky, provavelmente – ou Luciano. Sobrenome: Luke, mas pode ser que seja só um apelido. Mas há algo que o identifica mais do que apenas nomes: o fato de este cowboy ser tão rápido que atira antes mesmo do que sua própria sombra!

Criado pelo belga Morris, e impulsionado pelos roteiros de René Goscinny (sim, o cocriador do Asterix), Lucky Luke está completando 80 anos de vida. Oito décadas vencendo a própria sombra em duelos…

É difícil selecionar as melhores histórias de Lucky Luke – são mais de 90 álbuns, e não li todos, infelizmente. Mas selecionei cinco entre os meus favoritos, e os listo abaixo. Você irá reparar que são todas da primeira fase do personagem, escritas por Morris ou Goscinny – talvez eu esteja ficando nostálgico, talvez tenham me marcado justamente por terem definido o personagem.

1949 – “A Mina de Ouro de Dick Digger“, de Morris
No Brasil: inédita (a imagem acima é a capa da edição portuguesa)

A história onde tudo começou. Já acompanhando de Jolly Jumper, o cavalo mais esperto do mundo, Lucky Luke vive suas primeiras aventuras, retratadas sob um traço ainda em formação de Morris. O roteiro ainda não estava no seu auge – que viria com Goscinny -, mas é aqui que tudo começou.

1958 – “Os Primos Dalton“, de René Goscinny e  Morris
No Brasil: “Coleção Lucky Luke” (Zarabatana Books), n° 4

A gangue dos irmãos Dalton realmente existiu e apavorou, no mau sentido, o Velho Oeste americano entre 1890–1892. Até onde sei, eram três irmãos e mais seis comparsas, daí o nome da gangue. Mas não são eles que aparecem neste álbum, mas seus primos mais incompetentes: Joe, William, Jack e o esfoemado Averell Dalton.
Este quarteto já havia aparecido como figurante em uma história anterior, mas foi nesta que surgiram como grandes antagonistas de Lucky Luke – posto que repetiriam em muitas aventuras vindouras.

1959 – “Subindo o Mississipi“, de René Goscinny e  Morris
No Brasil: “Coleção Lucky Luke” (Zarabatana Books), n° 6
Nem tudo no Velho Oeste se deu sobre planícies desertas e secas, isoladas de todos. Algumas aventuras se passam sobre os caudalosos rios de Estados como Mississipi e Pennsylvania, onde barcos levavam trapaceiros, fugitivos da polícia, alguns poucos aventureiros bem intencionados e, clao, Lucky Luke.

1960 – “Corrida para Oklahoma“, de René Goscinny e  Morris
No Brasil: “Coleção Lucky Luke” (Zarabatana Books), n° 5
A mística da ocupação do Velho Oeste é explorada, clichê após clichês, nesta aventura absolutamente hilária: duelos, corrupção, saloons repletos de bebibas de má qualidade e brigas idem (com derrotados sendo defenestrados, obviamente). E um cowboy solitário tentando organizar aquela zona toda.

1962 – “Na Pista dos Dalton“, de René Goscinny e  Morris
No Brasil: “Coleção Lucky Luke” (Zarabatana Books), n° 6
Rin Tin Tin (1918-32) é um cachorro que foi salvo por um soldado que estava em um campo de batalha europeu durante a Primeira Guerra Mundial. Levado aos EUA, estrelou dezenas de obras para o cinema, sempre interpretando um cão inteligente e corajoso. Este é o grande Rin Tin Tin! Já o Rantanplan, coitado, é uma paródia dele criada como coadjuvante de Lucky Luke. Mais burro que a própria burrice, Rantanplan é, ao menos, hilário e fiel. “Na Pista dos Dalton” é sua estreia nos quadrinhos, e seu sucesso canino o levou a ganhar não só sua própria série em quadrinhos, mas também uma série animada para a TV.

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho no Estadão e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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