A Supergirl que começa a voar na última quinta, 25, pelas telas dos cinemas mundo afora não é a primeira, nem a segunda testadas pela DC Comics, editora que detém os direitos do Superman e de toda a sua imensa mitologia.

Kara Zor-El, a prima do Superman conhecida como Supergirl, surgiu em 1959, em uma história escrita por Otto Binder e ilustrada por Al Plastino. Mas a primeira versão de uma Supergirl da DC surgiu uma década antes e era bem diferente dela, como veremos nesta “linha do tempo” de Supergirls da DC – deixando de lado as Supergirls da “dimensões paralelas” e “futuros alternativos”, pois este texto seria infinito.

(Mas vou fazer honrosa para a Supergirl paralela que vive em um mundo em que todos são lobisomens, inclusive ela mesma: adoraria rever esta versão alternativa da personagem!).

1949 – A primeira Supergirl nasceu na América do Sul

Criada por John Sikela, a primeira Super-Girl da DC (escrita assim, com hífen) era Lucy, uma amiga do Superboy que era rainha da fictícia nação sul-americana de Borgonia. Ela não tinha poderes e usava um curioso uniforme laranja (!) com o emblema vermelho do S estilizado do Superman no peito.
Infelizmente, sua primeira história foi também sua última.

1958 – A segunda Supergirl foi criada por Jimmy Olsen

Em uma curiosa história publicada em 1958, escrita por Otto Binder e ilustrada por Dick Sprang, Jimmy Olsen exprimia toda sua preocupação pelo fato de o seu melhor amigo, o Superman (claro!), ser um pária no mundo. Por meio de um artefato místico, Jimmy conjura uma nova Super-Girl (também com hífen): mesmo uniforme e mesmo poderes do Superman, mas sem identidade secreta. Esta curiosa personagem, assim como sua predecessora, durou apenas uma história.

1959 – Finalmente, a Supergirl que nós conhecemos

Nove meses depois da Super-Girl anterior, o mesmo roteirista Otto Binder, agora acompanhado por Al Plastino, nos trouxe a versão definitiva da Supergirl: Kara Zor-El, a prima mais velha do Superman, que, devido a um infortúnio em sua viagem especial até a Terra, chegou aqui muito depois dele. A princípio, esta personagem teve a identidade secreta de Linda Lee, mas este nome teve algumas variações com o passar das décadas – atualmente, é Kara Danvers.
É esta personagem que está nos cinemas, vivida por Milly Alcock.

1961 e 1980 – as sósias!

A mitologia da Supergirl envolveu duas sósias com os mesmos poderes. A primeira surgiu em 1961, criação de Otto Binder (a terceira Supergirl dele!) e Jim Mooney. Ela vem de outra dimensão e seu uniforme é idêntico ao de Kara, com uma leve diferença no emblema que ostenta no peito. Seu nome é Lea Lindy, que atua com o codinome heroico de Marvel Maid (acima), e seu primo também é herói: Ken Clark, o Marvel Man (acima também).

A segunda sósia, Ellen Leeds (criada por Jack C. Harris e Win Mortimer; acima), é uma humana muito parecida com a Kara, que foi exposta a um tipo raro de kryptonita e ganhou os poderes de um kryptoniano. Com a memória prejudicada, acreditou ser a Supergirl e atuou como se fosse a heroína por um curtíssimo período de tempo.
Estas duas Supergirls, assim como as duas primeiras, duraram apenas uma história.

1976 – A versão alternativa que ganhou brilho próprio

Há uma versão recente da Supergirl que conseguiu identidade própria e estabeleceu sua própria mitologia. Em uma dimensão paralela, a prima do Superman local (Kal-L) se chama Kara Zor-L e assumiu a identidade de Poderosa (Power Girl, no original).
Criada por Gerry Conway e Ric Estrada, esta viajante dimensional tem sua história própria dentro da DC Comics e tem passagens importantes tanto pela Sociedade da Justiça quanto pela Liga da Justiça.

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho no Estadão e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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