Estamos na semana de estreia de mais um filme do Homem-Aranha. O personagem, novamente vivido pelo carismático Tobey Maguire, é um tremendo acerto da Marvel.

Desde o início, quando foi criado por Stan Lee e Steve Ditko (há um quê do Jack Kirby nesta criação), ele arregimentou fãs. O motivo mais frequentemente apontado para seu sucesso é o quanto ele é falho: imperfeito, inseguro, azarado. Faz sentido, claro – eu, pelo menos, me identifico. Mas há outras motivos (nunca é um só). E eu acho que o fato de ter tido grandes criadores por trás de suas histórias ajudou muito. Sua mitologia, construída nestas sete décadas, é riquíssima, com coadjuvantes, vilões e anti-heróis (o Justiceiro surgiu em suas páginas) também inesquecíveis.

Há cinco anos, escrevi um artigo apontando dez das melhores histórias do personagem, na minha humilde opinião:

1962 – “Homem-Aranha!”, de Stan Lee e Steve Ditko
1967 – “Homem-Aranha Nunca Mais!”, de Stan Lee e John Romita (imagem acima)
1973 – “A Noite em que Gwen Stacy Morreu”, de Gerry Conway e Gil Kane
1984 – “O Garoto que Colecionava Homem-Aranha”, de Roger Stern e Ron Frenz
1985 – “A Saga do Devorador de Pecados”, de Peter David e Rich Buckler
1987 – “A Última Caçada de Kraven”, de J.M. DeMatteis e Mike Zeck
2004 – “Homem-Aranha 2”, dirigido por Sam Raimi
2011 – Homem-Aranha Ultimate, de Brian Michael Bendis e vários ilustradores
2014 – “Aranhaverso”, de Dan Slott e vários ilustradores
2019 – “Homem-Aranha no Aranhaverso”, dirigido por Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman

Vou apontar aqui mais sete grandes histórias do personagem que acho que valem a pena, tentando selecionar ao menos uma por década – pulando os lamentáveis anos 90, que serão lamentados em outro texto.

Aqui vai minha nova lista de sugestões:

1964 – “A Grotesca Aventura do Duende Verde“, de Stan Lee e Steve Ditko

A mitologia do Aranha passa pelo Duende Verde. De cabeça, eu lembro de quatro Duendes Verdes, cinco Duendes Macabros e um Duende Demoníaco, sem falar nas inúmeras representações em filmes e desenhos animados (gosto muito de Willem Dafoe como o personagem). E tudo começou aqui, nesta inocente aventura que nos apresenta ao vilão de olhos esbugalhados.

1973 – “O Justiceiro Ataca Duas Vezes!“, de Gerry Conway e Ross Andru

Hoje o Justiceiro é um personagem valioso da Marvel, que já ganhou duas minisséries audiovisuais e quatro filmes. Mas, no início, ele era só um violãozinho mequetrefe nas páginas do Homem-Aranha.

1983-84 -“A Origem do Duende Macabro“, de Roger Stern, John Romita Jr. e vários

Sabe aquela saga clássica de aventura e mistério, que prende o leitor por meses graças a um suspense bem construído? É o que acontece aqui, com o mistério por trás deste novo vilão que atazana a vida do Aranha: o Duende Macabro.

1986 – “Homem-Aranha – Marandi“, de Susan Putney e Bernie Wrightson

Esqueça supervilões, identidades secretas e as aventuras habituais do Amigão da Vizinhança. Aqui temos uma fábula de amadurecimento, com pitadas de terror, emoldurada pela linda arte de Bernie Wrightson (inclusive, é a imagem que abre este texto).

Anos 90
Sentido de aranha alerta: pule as HQs do Amigão da Vizinhança desta época. De nada.

2011 – “Universo Ultimate – A Morte do Homem-Aranha”, de Brian Michael Bendis e vários

Esta não é uma história do Homem-Aranha clássico, que lemos desde 1962, mas de seu par na dimensão paralela conhecida como Universo Ultimate. Mesmo assim, a escrita de Bendis nos conduz a uma bela homenagem ao mito do personagem, retratando com precisão seus dilemas e sacríficos.

2021 em diante – “Spidey e Seus Amigos Espetaculares“, dirigida por Darren Bachynski e Mitch Stookey

Esta série animada não é para adultos. E daí? É boa e merece ser citada. Já foram quatro temporadas (a quinta está vindo aí) com episódios, curtos, engraçados e com ação, mas sem violência, adaptando o universo do Aranha para crianças de 2 a 5 anos. O tradicional Peter Parker divide o protagonismo com seus amigos Gwen Stacy (Aranha-Fantasma) e Miles Morales (Spin).

2023 – “Homem-Aranha: Através do Aranhaverso“, dirigido por Joaquim dos Santos, Kemp Powers e Justin K. Thompson

É normal pensarmos em “Homem-Aranha no Aranhaverso”, de 2018, como referência para as animações do personagem. Mas esta continuação, que levou cinco anos para ficar pronta, ficou tão incrível quanto a original. Muita ação, humor e dezenas (centenas?) de homenagens ao riquíssimo universo aracnídeo.

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho no Estadão e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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