Nicolas Cage é um fãzaço de quadrinhos, além de ser ator onipresente nas adaptações de HQs para as telas. Esteve em adaptações da Marvel (os dois filmes do Motoqueiro Fantasma), da DC (como Superman, no fraquíssimo filme do Flash), da série Kick-Ass (que começou na Marvel, mas passou pela Image e hoje está no Millarworld) e até de mangás (ele dubla o pai do Astro Boy na animação de 2009).

Cage também dublou o Homem-Aranha Noir na linda trilogia de animação iniciada com “Homem-Aranha no Aranhaverso“. Agora, ele vai além da voz e interpretará o personagem na série “Spider-Noir“, que estreia hoje (quarta, 27) no Amazon Prime Video.

Mas quem é este Homem-Aranha Noir?

A editora Marvel tem um exteeeeeeeeenso multiverso nos quadrinhos. As histórias que lemos, em sua maioria, se passam na Dimensão 616. É lá que o órfão Peter Benjamin Parker foi picado por uma aranha radioativa e se tornou o Homem-Aranha. Mas há outras dimensões com variações deste icônico personagem.

Falemos da dimensão 90.214. Nesta dimensão, as histórias são ambientadas nos anos 30 (1933, para ser mais exato) e suas tramas prestam homenagens aos filmes e romances de detetives criados naquela época – daí o tom sombrio das histórias e o “noir” do título.

Nesta terra, o Peter Benjamin Parker utiliza uma variação quase toda preta do uniforme clássico do Homem-Aranha, mas com direito a sobretudo e chapéu – escuros, claro.

O nome do personagem é Homem-Aranha mesmo (Spider-Man, no original), sendo “Homem-Aranha Noir” (“Spider-Man Noir”) o título da minissérie em quatro partes que lançou esta dimensão e esta variação do personagem no final de 2008. Seus criadores são os roteiristas David Hine e Fabrice Sapolsky e o ilustrador Carmine di Giandomenico.

Nestas histórias, o Homem-Aranha encontra variações de seu universo tradicional devidamente adaptados a esta dimensão noir – caso da Tia May, do incansável J. Jonah Jameson e dos vilões Duende Verde, Abutre e Kraven. Algo similar acontecerá nesta adaptação, com uma diferença importante: o Homem-Aranha de Nicolas Cage atenderá pelo nome de Ben Reilly, e não de Peter Parker.

Nos quadrinhos da Marvel, Benjamin “Ben” Reilly é um clone de Peter Parker que também é super-herói. Já atendeu pelos codinomes de Homem-Aranha e Aranha Escarlate, mas atualmente responde por Chasm (“Abismo”, em tradução livre).

Como esta série audiovisual se passa em outro universo, o Ben Reilly de Nicolas Cage pode ser o que seus criadores desejarem – por exemplo, um clone do Peter Parker ou o próximo Parker usando um pseudônimo. Acredito que será um personagem independente do Parker.

A melhor opção para ler este personagem aqui no Brasil é a antologia “Homem-Aranha Noir”, da Panini, um livrão de 250 páginas que compila duas minisséries dele (inclusive a original) e mais três edições especiais. Abaixo, a sinopse da editora.

“Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades – e quando aqueles com o poder abusam dele, é responsabilidade de todos fazer com que esse poder seja removido. O ano é 1933, e a cidade de Nova York está nas mãos de políticos corruptos, empresários antiéticos e chefões do crime organizado entre os quais está o pior de todos, o Duende. Mas quando uma fatídica picada de aranha dá ao jovem Peter Parker estranhos poderes aracnídeos, tudo pode estar prestes a mudar! Para além disso, o estranho e brilhante cientista Dr. Otto Octavius está trabalhando para o governo dos Estados Unidos em um laboratório na Ilha Ellis. O que ele está fazendo? E qual a relação disso com o novo e inescrupuloso vilão que recentemente assumiu o manto de chefe do crime na cidade? Com vidas inocentes, amizades e vingança em jogo, O Homem-Aranha Noir vai precisar enfrentar algumas das batalhas mais mortíferas de sua vida: será que ele sairá vitorioso?”

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho no Estadão e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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