Sou flamenguista e sou fã do Henfil, então imagine minha alegria ao escrever este texto.

Vi no Lance! que o Flamengo pintou, nos muros da Gávea (sede do clube), três painéis inspirados no trabalho do Henfil. A pintura faz parte de um projeto iniciado no ano passado para celebrar os 130 anos de história do clube, data celebrada em 15 de novembro de 2025.

Duvido que você não conheça o excepcional Henrique de Souza Filho (1944-88), que brilhou tanto quanto chargista político quanto esportivo, mas segue aqui uma historinha sobre ele, retirada do… site oficial do Flamengo :-).

“Maracanã lotado, tarde de um fim de semana dos anos 1960. O jogo corria normal quando torcedores do Botafogo soltaram um urubu carregando uma bandeira do Flamengo. Mais que uma provocação, uma crítica pesada: para os alvinegros, os flamenguistas não passavam de favelados que reviravam o lixo em busca de comida. Ou seja, urubus. A resposta, em alto nível, veio estampada na edição do Jornal dos Sports do dia seguinte: o desenho de um adorável urubu vestindo a camisa do Flamengo.
“Antes de revidar no mesmo nível, ele preferiu o bom humor e adotou o bicho como mascote do time”, conta Ivan Cosenza de Sousa, filho do autor do cartum, Henrique de Sousa Filho, mais conhecido como Henfil. Flamenguista doente, ele iniciava ali um apaixonado canal de comunicação com a torcida que, seguindo seu conselho, adotaria a provocação e acolheria o urubu, para o desespero dos adversários.”

““Henfil era descaradamente torcedor nos cartuns, mas também generoso com os outros times, a ponto de criar mascotes para eles também”, lembra Ivan, enumerando o Bacalhau (Vasco), Cri-cri (Botafogo), Pó Pó (Fluminense) e Gato Pingado (América). “Sua paixão pelo Flamengo era tão evidente que os outros mascotes até reclamavam nas tiras, o que despertava simpatia dos demais torcedores. Uma atitude inteligente, pois conquistava a leitura também dos rivais.””

ps – as imagens que ilustram este texto são do perfil henfil.oficial.

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho no Estadão e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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