Hoje estreia a segunda temporada de “Demolidor: Renascido” no Disney+. Trata-se de uma série de super-heróis violenta, intensa e com ótimas atuações. Além de tudo, coloca foco em um dos personagens mais interessantes do gênero dos super-heróis: Demolidor, o super-herói com deficiência visual. Quantos outros heróis do gênero como este você conhece? O Mortalha, da mesma editora Marvel do Demolidor? O Doutor Meia-Noite, da rival DC? A mutante Olhos Vendados? Poucos, não é? E bem desconhecidos.

Além disso, há outro ponto interessante no personagem, que ainda não foi tratado na série da DIsney+, mas que foi na sua predecessora: “Demolidor”, lançada em três temporadas pela Netflix. O Demolidor é um dos personagens mais religiosos do gênero – um católico que, ironicamente, se veste de demônio para combater o crime. Nos quadrinhos, ainda há o contexto que ele descobre, apenas adulto, que sua mãe há muito desaparecida tornou-se freira.

Enfim, o Demolidor é um baita personagem. E o que o coloca assim neste topo é o que seus criadores fazem com ele. São as histórias que exploram e profundam essa complexidade para nos trazer dilemas, emoções e reflexões. No ano passado, quando estreou a primeira temporada de “Demolidor: Renascido”, apresentei aquelas que são, na minha opinião, as dez melhores histórias do personagem.

Agora, quero fazer algo diferente: apresentar roteiristas que aproveitaram a revista mensal do Homem sem Medo para ir apresentando, aos poucos, fases inquietantes, complexas e inesquecíveis. Talvez não dê tempo para ler uma fase inteira destas enquanto maratonar a segunda temporada, mas caso ela seja boa (como imagino que será), talvez velha a pena revisitá-las – ou lê-las pela primeira vez, caso ainda não tenha tido o prazer.

Frank Miller
O roteirista e ilustrador Frank Miller comandou o título mensal do personagem por 24 edições (dois anos). Ele já era o ilustrador quando assumiu o roteiro, mas foi de seu teclado que saiu a grande mudança. Histórias sombrias e dolorosas, além da criação de uma personagem incrível: a ninja Elektra, grande amor da vida do Homem sem Medo. Miller voltaria ao título mensal poucos anos depois para uma séria mais curta: “A Queda de Murdock” – em inglês, “Born Again”, título homenageado pela série da Netflix.

Ann Nocenti
Por onde anda a ótima escritora e editora Ann Nocenti? Fazendo filmes e jornalismo, me responde a internet. Sinto falta dela nas HQs da Marvel, especialmente de sua longa, violenta e emocionante fase com o Demolidor. Foram 53 edições entre janeiro de 1987 e abril de 1991, a maior parte acompanhada pelo traço personalíssimo de John Romita Jr. Trata-se de uma fase em que Matt Murdock, que perdeu o direito de ser advogado, atua como consultor jurídico voluntário, e o vemos envolvidos em problemas como racismo, sexismo e distúrbios mentais.

Brian Michael Bendis
A fase de Bendis com o Demolidor foi só um pouquinho maior que a da Ann Nocenti: 55 edições, entre 2001 e 2006. Ao seu lado, o talentoso ilustrador búlgaro Alex Maleev nos trouxe um ambiente ainda mais sombrio e intimista. Enquanto corria uma trama maior – o mundo descobriu que o herói Demolidor e o advogado cego Matthew Murdock são a mesma pessoa -, Bendis nos apresentou aspectos criativos e profundos das consequências desta descoberta. Vale muito a pena.

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho no Estadão e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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