A editora Abril lançou, em janeiro de 1988, uma coleção que fez meus olhos brilharem: a série trimestral “Graphic Novel“. Enquanto os títulos mensais saiam em formatinho, a série GN ostentava um vistoso formatão. Era caro, é verdade, mas vinha com histórias especiais e meus super-heróis favoritos: X-Men, Batman, Demolidor, Homem-Aranha…

Até que, do nada, os super-heróis sumiram. A coleção passou a ser usada para apresentar autores e personagens diferentes ao público que costumava se deliciar apenas com DC-Marvel. Alguns, adorei; outros, estranhei. Um eu guardei com carinho: o jornalista Frank Cappa, personagem criado pelo espanhol Manfred Sommer (1933-2007). Foi na edição 22: “Viet-Song: Frank Cappa – Memórias de um correspondente” (outubro de 1990). Eu podia ser jovem demais para entender a complexidade da Guerra do Vietnã, mas algumas cenas ficaram marcadas na minha mente, como um monge se incendiando em forma de protesto.

Este interessante personagem chamado Frank Cappa teve poucas histórias publicadas por aqui: segundo o site Guia dos Quadrinhos, foram apenas cinco, além da citada graphic novel: quatro HQs curtas na revista “Aventura & Ficção”, entre 1989 e 90, e mais uma no nº 7 de “Gibilândia”, de 2020.

Pois bem! Dito isto, vi no Fora do Plástico que a Risco lançará, agora em 2026, “Frank Cappa – Integral”, uma antologia com todas as histórias do personagem. Uma bacana oportunidade de voltar ao personagem – e, cá entre nós, saudades de uma coleção como aquela de graphic novels, com autores e até gêneros diferentes a cada número.

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Escrito por

Pedro Cirne

Meu nome é Pedro, nasci em 1977 em São Paulo e sou escritor e jornalista - trabalho no Estadão e escrevo sobre quadrinhos na TV Cultura.
Lancei dois livros: o primeiro foi "Púrpura" (Editora do Sesi-SP, 2016), graphic novel que eu escrevi e que contou com ilustrações 18 artistas dos oito países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Este álbum contemplado pelo Bolsa Criar Lusofonia, concedido a cada dois anos pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal.
Meu segundo livro foi o romance "Venha Me Ver Enquanto Estou Viva”, contemplado pelo Proac-SP em 2017 e lançado pela Editora do Sesi-SP em dezembro de 2018.
Como jornalista, trabalhei na "Folha de S.Paulo" de 1996 a 2000 e no UOL de 2000 a 2019.

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