
A sul-coreana Keum Suk Gendry-Kim era inédita aqui no Brasil até a década passada. Isso mudou em 2020, quando saiu “Grama”, impactante graphic novel de não-ficção sobre sul-coreanas que foram sexualmente escravizadas por soldados japoneses.
Desde então, o Brasil tem recebido quase que anualmente uma obra nova da autora, com destaque para “A Espera” e “Jun”. São, de uma maneira geral, histórias longas, profundas, inspiradas em fatos reais e que tocam de perto a cultura sul-coreana, ao mesmo tempo em que tratam de assuntos universais. Sou fã do trabalho dela.

E tem mais vindo por aí. Vi no Lacradores Desintoxicados que a Pipoca & Naquim anunciou “Alexandra Kim: Filha da Sibéria“. Abaixo, a sinopse:
“A história de Alexandra Kim (1885-1918) leva-nos ao Extremo Oriente, onde as fronteiras e as ideias políticas são porosas entre a Rússia, a Coreia e a China. Para além das barreiras linguísticas, é a situação dos trabalhadores – e o seu sofrimento – que motiva o empenho de Alexandra Kim, numa altura em que o direito do trabalho é praticamente inexistente na despótica Rússia czarista. É através do seu pai, um intérprete que trabalhou na China em nome da Rússia para a construção dos Caminhos-de-Ferro do Leste da China, que a jovem Alexandra é sensibilizada para a situação dos trabalhadores. Após a morte do pai, Alexandra Kim regressa à Rússia onde trabalhou pela emancipação dos trabalhadores, enquanto o regime do czar intensificava a repressão nas vésperas da Grande Guerra. A guerra foi um ponto de viragem para ela, que decidiu partilhar o destino dos trabalhadores mobilizados nas fábricas dos Urais como intérprete. O seu destino muda quando a sua luta sindical a leva ao conhecimento dos membros do Partido Comunista de Lenine…”