
Há muitos anos, meu amigo Irineu me apresentou ao CD “Canções do Brasil“, da dupla Palavra Cantada. Eram 27 canções, gravadas nas 27 capitais estaduais, retratando lindos aspectos da gigantesca cultura brasileira. Até hoje é um dos meus álbuns prediletos.
Lembrei deste CD ao entrar em contato com o projeto “Território Compartilhado – Antologia Indígena em Quadrinhos“. É isso mesmo que o subtítulo indica: diferentes artistas (como Merremi Karão Jaguaribaras, que mora em Aldeia Kalembre Feijão, no Ceará; ou Genilson Silva M’byá, indígena Guaraní M’byá que mora em Ubatuba-SP; e membros do Coletivo Acessibilindígena, que reúne indígenas com deficiência pertencentes a vários povos) trazendo aspectos da gigantesca cultura indígena brasileira.
Meu exemplar ainda não chegou, mas acho que já posso dizer: que belíssima ideia!

É possível comprar um exemplar aqui no site Keikolina; abaixo, listo os participantes:
- Moara Tupinambá
- Marcela Poenna
- TΔI
- Nathalia Kariri
- Caio Ananias
- Eá Borum Krenak
- Anápuàka Tupinambá Hãhãhãe
- Alexandra Tupinambá Krenak
- Coletivo Acessibilindígena
- Merremi Karão Jaguaribaras
- Genilson Silva M’byá
- Daniel Munduruku
- Fátima Gomes
- Elza Keiko

Deixo abaixo a descrição dos organizadores:
“Com o objetivo de ocupar o cenário nacional das histórias em quadrinhos com narrativas autênticas, a antologia TERRITÓRIOS COMPARTILHADOS chega ao público como um marco de autodeterminação estética e política. Viabilizado pelo edital Rumos Itaú Cultural 2023-2024, o álbum reúne artistas originários de diversos povos para transformar o suporte das HQs em um espaço de resistência contra o silenciamento histórico.
Concebida como uma obra coletiva e contemporânea, a coletânea rompe com a lógica do “etnoentretenimento” e do olhar eurocêntrico. Sob a organização de Eá Borum Krenak, radicado em Imperatriz (MA), o projeto apresenta sete narrativas que transitam entre o tempo ancestral e o indigenafuturismo, provando que a oralidade e a cosmovisão originária dialogam plenamente com a contemporaneidade e a tecnologia.
TERRITÓRIOS COMPARTILHADOS reafirma que os saberes indígenas são experiências vivas que constroem mundos e não apropriações genéricas da cultura ancestral. “Nossas histórias podem não ter clímax tradicionais, pois operamos em um tempo contínuo onde passado e futuro se tocam”, explica a coordenação.
A edição, que conta com prefácio de Daniel Munduruku e design de Elza Keiko, consolida um espaço de rigor técnico e afetos que convida o leitor a “desaprender” visões coloniais para verdadeiramente apreciar a arte originária.”“
