
Todo início de ano, escrevo dois textos aqui no Hábito apresentando quadrinhos que eu gostaria que fossem publicados no Brasil. Normalmente, faço isso na primeira semana do ano, mas como eu estava de férias… Começo fevereiro com esta listinha. Quem sabe ao menos um dele não pousa por aqui até dezembro?
“Feeding Ghosts: A Graphic Memoir“, de Tessa Hulls (imagem que abre este texto)

A norte-americana Tessa Hulls conseguiu um feito e no ano passado: ganhou o Pulitzer de melhor memória/autobiografia publicando uma HQ. “Feeding Ghosts: A Graphic Memoir” (“Alimentando Fantasmas: Uma memória gráfica”, em tradução livre) retrata os desafios e a vida de três gerações de mulheres: sua avó chinesa, sua mãe e ela mesma.
“Morango e Chocolate 2“, de Aurélia Aurita

Lá em 2007 (quase 20 anos, portanto), saiu no Brasil a obra erótica e autobiográfica “Morango e Chocolate”, de Aurélia Aurita. Divertida e franca, trata-se de uma bela HQ. Aurélia publicou uma continuação poucos anos depois, que continua inédita no Brasil. Não estaria na hora de publicar?
“Novos Deuses” – tanto a fase de John Byrne quanto a de Walt Simonson (imagem abaixo)

Jack Kirby foi um criador magistral – Capitão América, Vingadores, X-Men e Quarteto Fantástico, por exemplo, são cocriações dele. E uma de suas mitologias mais pessoais é o universo dos Novos Deuses, que ele criou para a DC. Nas décadas que se seguiram, muitos artistas abraçaram o conceito. John Byrne, fã declarado de Kirby, foi um – alguns poquíssimos capítulos desta fase saíram por aqui, mas a maior parte, não. Walt Simonson, outro fã de Kirby (e quem não é), também teve uma aclamada fase com os personagens. Não seria bacana ler estes dois trabalhos?
“The Angriest Dog in the World” (“O cão mais raivoso do mundo”, em tradução livre), de David Lynch

Acho o trabalho audiovisual de David Lynch maravilhoso: a série “Twin Peaks” e filmes como “A Estrada Perdida”, “Cidade dos Sonhos” e “História Real”. Lynch, aparentemente, também gostava de quadrinhos. Ele escreveu e ilustrou uma curiosa tira de curta duração.
“Curiosa” talvez seja um eufemismo. O primeiro quadro sempre mostra o tal cão mais nervoso do mundo. Nos seguintes, a imagem é praticamente a mesma: o tal cão preso a uma coleira, com cara de ódio. A história é contada por meio de recordatórios ou balões de fala, e muitas vezes não têm nada a ver com o tal cão raivoso.
“The Dissident Club – Chronicle of a Pakistani journalist in exile” (O Clube dos Dissidentes – Crônica de um jornalista paquistanês no exílio), de Hubert Maury e Taha Siddiqui

Em 2018, o jornalista investigativo paquistanês Taha Siddiqui foi sequestrado e quase morto. Quando fugiu, deixou seu país e sua vida de então para trás, rumo à França. Este é um relato autobiográfico que mistura política, religião, jornalismo e muita luta.
“Фермерские рынки мира» (“Uma viagem ao mundo por 24 mercados”, em tradução do DeepL”), de Maria Bakhareva e Anna Desnitskaya

A escritora María Bakhareva e a ilustradora Anna Desnitskaya produziram um projeto bem interessante: misturando palavras e desenhos, apresentam 24 mercados ao redor do mundo, contando histórias, curiosidades, pequenos hábitos e, claro, ingredientes e pratos específicos destes lugares.
(Curioso: notei que quatro dos seis quadrinhos que selecionei para esta lista são de não-ficção…)