
Dizer que a série Asterix é fantástica é chover no molhado. A série criada por René Goscinny e Albert Uderzo nos rendeu 24 excelentes aventuras lançadas entre 1959 e 1979. Se você perguntar qual a minha favorita, a resposta vai oscilar entre “Asterix Legionário”, “Uma Volta pela Gália com Asterix” e, francamente, qualquer outra. Sou muito fã.
Após a morte de Goscinny, entretanto, a série continuou boa, mas não excelente. Os álbuns escritos por Uderzo oscilaram – há os mais divertidos, como “O Filho de Asterix”, e alguns que soam quase bobos.

Mas aí veio uma nova fase, em 2013, com uma dupla criativa completamente nova: Jean-Yves Ferri (roteiro) e Didier Conrad (arte) nos entregaram cinco novos álbuns, um a cada dois anos. Foi bom: divertidos, honestos, reverentes aos artistas originais.
E agora temos uma quarta fase. “A Íris Branca” (ed. Record), a 40ª aventura dos irredutíveis gauleses, traz a estreia de Fabcaro nos roteiros, com mais uma vez Didier Conrad ilustrando. E o resultado é ótimo! Ainda há a reverência aos artistas originais da fase anterior, mas, acredito, há um passo além. A aventura tem duas grandes características: primeiramente, volta a haver um vilão astuto e inteligente, o melhor tipo de desafio para quem é fisicamente quase invencível, como os gauleses. E, em segundo lugar…

Em segundo lugar, Fabcaro usa um texto ambientado no passado (as aventuras de Asterix se passam antes do nascimento de Cristo) para refletir sobre o presente. No caso, o livro inteiro é um desdobramento de brincadeiras e reflexões sobre autoajuda, coaches e atitudes extremamente positivas – ou seja, tóxicas. Ou seja, rimos e nos divertimos com as cenas de trapalhadas e ação, mas também reconhecemos o mundo ao nosso redor – e refletimos sobre ele.
“A Íris Branca” é um belo livro e um início promissor para esta nova fase do Asterix. Fico na torcida para continuar assim – mas, sem, claro, exagerar no pensamento positivo.
