
A editora Poptopia colocou no Catarse não uma, mas duas HQs vindas de países africanos que falam português: Angola (onde nasceu meu pai, veja você) e Cabo Verde.
“Mafuta e a Melodia Esquecida” é uma obra angolana, escrita por Cremilda Fula e ilustrada por Lopes José, enquanto “A Baía do Inferno” vem de Cabo Verde e é de autoria de Edna Cardoso (roteiro) e Heguinil Mendes (arte). Abaixo, as descrições de ambos conforme estão no Catarse:

“Em um mundo submerso pelas lágrimas da divindade Nzambi, chuvas que nunca param transformaram a terra em um oceano infinito. Os sobreviventes resistem no topo de embondeiros gigantes, construindo civilizações inteiras entre as copas das árvores.
Neste cenário vive Mafuta, uma jovem destemida que sonha em ver o céu azul que conheceu apenas pelas histórias de sua avó. Quando sua aldeia é ameaçada por forças destrutivas, ela percebe que a resistência pode estar no som de um antigo tambor sagrado: o Ngoma. Com coragem e fé, Mafuta desafia o medo para mostrar que a música é o caminho para reconectar as pessoas com seus deuses e com sua própria essência. Mafuta é uma jornada sobre memória e esperança — porque quando os deuses choram, o mundo precisa aprender a ouvir.”

Cabo Verde, 1712. A poeira das ruas da Ribeira Grande e o salitre do Atlântico escondem o destino de milhares de pessoas que a história nunca nomeou. Baía do Inferno nos mergulha em um recorte cru da invasão do corsário francês Jacques Cassard, mas por um ângulo diferente: o daqueles que não tinham chance de vencer.
Acompanhamos o esforço desesperado de pessoas comuns que, diante da violência brutal da época, tentam proteger sua dignidade e suas vidas contra uma força militar esmagadora. É a narrativa de uma batalha que já nasce perdida, onde o heroísmo não está na vitória, mas na resistência em meio ao caos.
Conforme o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o tombamento protege um patrimônio cultural relevante, mas não impede seu uso. Porém, qualquer alteração nesses bens deve ser previamente autorizada pelo órgão municipal, estadual ou federal de proteção do patrimônio. No caso da Escola Panamericana, o prédio é utilizado para ensino. Uma lei de 1941 prevê que o tombamento pode ser cancelado, mas exige análise rigorosa e processo formal. Ocorrendo a perda da proteção, o imóvel pode ser reformado ou demolido, mas para isso precisa de alvará do município, estado ou União.